O pensamento do eterno retorno, gênese do livro Assim Falou Zaratustra, fecundou o espírito de Nietzsche numa caminhada pelos bosques do lago Silvaplana, localizado no vale de Engadi na região do Alpes em Grisons (Suíça). Depois da viagem a Gênova na Itália, o filósofo viajante refugiou-se em Sils Maria (cidade à margem do lago) para revigorar sua debilidade física com o ar das montanhas.
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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 2
Privilegiado por ter, desde a graduação em filosofia, bons professores como instrutores e guia na grande aventura de ler os livros, cartas e fragmentos póstumos do filósofo Friedrich Nietzsche, meu encontro com a sua escrita foi impactante e paixão à primeira vista. Amado, odiado, expropriado, deturpado, incompreendido. Seus escritos exigem posição ética irredutível do leitor: amar a vida como ela é, destituída de todo e qualquer ideal. Sua filosofia é e continuará extemporânea na história das idéias.
Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche

Friedrich Nietzsche, em Turim no de 1887, antes do colapso neurológico que o deixou em estado vegetativo por dez anos, escreveu: “Comparada com a música, toda comunicação com palavras é vergonhosa; as palavras diluem e brutalizam; as palavras despersonalizam; as palavras tornam o incomum comum”. Assim Falou Zaratustra: um livro para todos e ninguém, escrito em quatro partes no período de 1883 a 1885, restitui a musicalidade das palavras. Os cantos de Zaratustra são palavras personalizadas em notas musicais. Como um escultor, Nietzsche lapidou a escrita até a sua condição genética: a oralidade, o som das palavras e sua melódica composição. Suas palavras portam a condição primária da linguagem: o ser humano, o bicho falante, é imerso pelo som no oceano da língua. Somos batizados na linguagem, imersos na sua correnteza de significados e sentidos.
Freud e a 2ª Guerra Mundial
No luxuriante salão de espelhos do Palácio de Versalhes, local de grandiosas festas oferecidas pelo rei Luis 14 para impressionar seus adversários, foi assinado o tratado de paz encerrando oficialmente a 1ª Guerra Mundial em 1919. A escolha do palácio é simbólica, pois a França tornou-se o alvo das maiores atrocidades cometidas pelas tropas alemãs. Os países aliados formaram a Liga das Nações imputando à República de Weimar a responsabilidade pela guerra e como sanção a perda de grande parte de seu território (principalmente Áustria e Hungria) e indenização de 33 milhões de dólares pelos prejuízos causados.
Freud e a 1ª Guerra Mundial
Dentre os acontecimentos trágicos tingidos de horror que sucederam a declaração de guerra à Sérvia pelo Império Austro-Húngaro, motivado pelo assassinado do arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa por um nacionalista sérvio em julho/1914, destaco a invasão das tropas alemãs na Bélgica com o propósito de atacar a França pelo norte. Em 25/08/1914 os alemães incendiaram uma das mais valiosas bibliotecas da Europa com 300 mil volumes, destruíram 2 mil edifícios e expulsaram 10 mil habitantes de suas casas.
