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tese de Mestrado: Sobre Os Fundamentos Epistemológicos Da Psicologia

tese de Mestrado – Unicamp – 1994

Título: Sobre Os Fundamentos Epistemológicos Da Psicologia

Resumo:

A pesquisa em psicologia educacional tem se pautado em dois critérios metodológicos: quantitativo e qualitativo. O primeiro é identificado com o positivismo e o segundo procura justificar-se na fenomenologia. Procuramos escapar desse suposto conflito metodológico, introduzindo a discussão no campo dos fundamentos epistemológicos da psicologia. Definimos como objeto de estudo os  projetos de fundamentação da psicologia que se apresentam como eixos norteadores da prática metodológica.
Estabelecendo uma identidade entre epistemologia genética e teoria do conhecimento, Jean Piaget apresentou a psicologia como fundamentos das ciências do homem. Amedeo Giorgi propõem que a psicologia deve se fundamentar na fenomenologia como critério metodológico e assim, definir seu espaço junto aas ciências humanas. George Politzer elaborou uma crítica aos fundamentos da psicologia tendo como referencia o método interpretativo inaugurado por Freud na construção do inconsciente. A interpretação não é para Politzer um método introspectivo pois supõe um outro como referência para, através da transferência, realizar o processo de construção do sujeito do desejo.

Tese de Doutorado: Jacques Lacan, o passador de Georges Politzer

Tese de Doutorado – Unicamp – 2005

Título: Jacques Lacan, o passador de Georges Politzer. Surrealismo e Psicanálise.

Resumo:

O objetivo desse trabalho é investigar a presença do ensaio de Politzer, Crítica dos Fundamentos da Psicologia, publicado em 1928, na tese de doutorado em psiquiatria de Lacan, Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade, publicada em 1932. Tal presença brilha por sua ausência: o nome de Politzer não é citado nenhuma vez e, a despeito disso, a letra politzeriana está contida na construção do caso clínico Aimée: o drama da mulher que chegou em Paris em 1929 com o propósito de publicar seus romances. Para estabelecer a relação entre Lacan e Politzer utilizo como ferramenta de análise os argumentos de Michel Foucault sobre a função autor. Em sua leitura de Freud, Politzer criou as condições para que Lacan pudesse interpretar o drama de Aimée como estruturante de sua personalidade. Desse modo, a leitura que Lacan fez de Politzer foi decisiva para sua entrada no campo da psicanálise. Para demonstrar que a função autor se exerce na instauração da discursividade, demarco um cenário histórico específico: o surrealismo na França entre 1925 e 1935, realizando, assim, uma análise genealógica das produções históricas das diferenças. A perspectiva da leitura dos textos aqui recortados é demonstrar que o movimento surrealista abriu as fronteiras para que a recepção da obra de Freud pudesse adquirir consistência teórica e prática num espaço cultural que até essa década permaneceu refratário à psicanálise. Concluo indicando que Lacan foi o passador de Politzer por ter instaurado uma prática clínica por descontinuidade com a concepção ontológica de inconsciente.