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Protestos quebram silêncio de 11 anos

A repercussão dos protestos em todo o Brasil tem intrigado especialistas no assunto. Até quando essas manifestações vão acontecer? O que tudo isso significa? Seria um surto nacional? A resposta mais óbvia é que o silêncio de 11 anos — desde 1992, quando os caras pintadas saíram as ruas para o impeachment do então presidente Fernando Collor — explodiu somente agora, quando a insatisfação sobre o custo de vida, a qualidade do serviço público entre outras questões vieram todas de uma vez, estampadas em novas caras pintadas, cartazes, faixas e gritos de guerra.

Márcio Mariguela - Psicanalista e Professor de Filosofia Contemporânea
Márcio Mariguela – Psicanalista e Professor de Filosofia Contemporânea

“O entendimento mais correto é o fator que pega no cotidiano de estudantes e trabalhadores: o aumento do valor dos transportes. Isso é o fator fundamental. O preço do transporte, que dá o direito de locomoção e acesso à cidade, foi determinante”, disse o historiador Uassyr de Siqueira, professor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Para ele, é difícil explicar o motivo de ser agora o momento. “Talvez tenha demorado um pouco (desde 1992) em decorrência de uma certa fragilidade dos movimentos estudantis, que passaram depois do impeachment. É um processo”, disse.

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Vivemos a ditadura da felicidade

Psicanalista, filósofo e professor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) Márcio Mariguela, 51, chegou em Piracicaba há 18 anos. Campineiro, ele se encantou com o ar interiorano mantido ainda no município, com a vida comunitária, as pessoas sentadas nas ruas, crianças brincando ao ar livre, o clima de amizade da cidade cortada pelo rio. Às vésperas do lançamento do DSM-5, o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, usado mundialmente para diagnosticar e medicar pacientes, o psicanalista, com 20 anos de carreira, abre a polêmica e chama para discussão a questão da saúde mental, que hoje vive uma banalização com o uso indiscriminado de medicamentos psicotrópicos. Diagnósticos que vão desde a autoavaliação e automedicação por meio da internet, até a receita da vizinha, tudo devido à busca moderna pelo padrão ideal de felicidade imposto nos dias atuais.

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