Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 3

Zaratrusta 3O pensamento do eterno retorno, gênese do livro Assim Falou Zaratustra, fecundou o espírito de Nietzsche numa caminhada pelos bosques do lago Silvaplana, localizado no vale de Engadi na região do Alpes em Grisons (Suíça). Depois da viagem a Gênova na Itália, o filósofo viajante refugiou-se em Sils Maria (cidade à margem do lago) para revigorar sua debilidade física com o ar das montanhas.

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Admiração: a paixão do olhar

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O amor é a paixão predominante nos discursos sobre os afetos e está intrinsecamente vinculado ao ato de admiração envolvendo o prazer do olhar. Admiramos algo ou alguém pelo sentimento sublime de respeito e consideração causado em nós: só amamos o que formos capazes de admirar. A emoção que a admiração desperta leva ao apaixonamento.

Por reconhecer em alguém um valor que nos faz contemplar nossa própria imagem invertida, amamos. Tal como um espelho, o outro representa o que desejamos ser ou somos e por isso este outro se torna objeto de contemplação, admiração. Não sem motivo há o ditado popular: o que os olhos não vêem o coração não sente. O amor passa pelo olhar, fonte primária da admiração: “quando eu te vejo eu desejo o teu desejo”, canta Caetano Veloso.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 2

Privilegiado por ter, desde a graduação em filosofia, bons professores como instrutores e guia na grande aventura de ler os livros, cartas e fragmentos póstumos do filósofo Friedrich Nietzsche, meu encontro com a sua escrita foi impactante e paixão à primeira vista. Amado, odiado, expropriado, deturpado, incompreendido. Seus escritos exigem posição ética irredutível do leitor: amar a vida como ela é, destituída de todo e qualquer ideal. Sua filosofia é e continuará extemporânea na história das idéias.

O canto tragico de Nietzsche 2

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche

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Friedrich Nietzsche, em Turim no de 1887, antes do colapso neurológico que o deixou em estado vegetativo por dez anos, escreveu: “Comparada com a música, toda comunicação com palavras é vergonhosa; as palavras diluem e brutalizam; as palavras despersonalizam; as palavras tornam o incomum comum”. Assim Falou Zaratustra: um livro para todos e ninguém, escrito em quatro partes no período de 1883 a 1885, restitui a musicalidade das palavras. Os cantos de Zaratustra são palavras personalizadas em notas musicais. Como um escultor, Nietzsche lapidou a escrita até a sua condição genética: a oralidade, o som das palavras e sua melódica composição. Suas palavras portam a condição primária da linguagem: o ser humano, o bicho falante, é imerso pelo som no oceano da língua. Somos batizados na linguagem, imersos na sua correnteza de significados e sentidos.

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Psicanálise e Filosofia