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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 5

 

zaratrusta 5No Poema Sinfônico para Grande Orquestra, homônimo ao livro Assim Falou Zaratustra, o compositor Richard Strauss escolheu, além do exuberante Prólogo, oito Cantos do personagem para musicar. Nietzsche compôs sua magistral tragédia em quatro partes ente 1883 a 1885. O critério adotado por Strauss na escolha dos Cantos demonstra certa perspectiva e permite seguir o fio condutor da interpretação que fez do livro.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 4

zaratrusta 4O vale de Engadina, região do Alpes em Grisons (Suíça) é a pátria de Zaratustra. Lagos, montanhas e ilhas constituem o cenário dos cantos que compõem o livro Assim Falou Zaratustra. Ao sentenciar no Prólogo que o super-homem é o sentido da terra e denunciar todos os que renunciam a terra para esperar a felicidade plena prometida para além-da-morte  encontramos o tom da composição do drama musical que representa o livro: “Eu vos ensino o super-homem. O super-homem é o sentido da terra. Eu vos imploro irmãos, permaneça fiel a terra e não acrediteis nos que vos falam de esperanças ultraterrenas! Eles envenenam a vida com a crença de uma outra vida além da morte. São desprezadores da vida”.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 3

Zaratrusta 3O pensamento do eterno retorno, gênese do livro Assim Falou Zaratustra, fecundou o espírito de Nietzsche numa caminhada pelos bosques do lago Silvaplana, localizado no vale de Engadi na região do Alpes em Grisons (Suíça). Depois da viagem a Gênova na Itália, o filósofo viajante refugiou-se em Sils Maria (cidade à margem do lago) para revigorar sua debilidade física com o ar das montanhas.

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Admiração: a paixão do olhar

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O amor é a paixão predominante nos discursos sobre os afetos e está intrinsecamente vinculado ao ato de admiração envolvendo o prazer do olhar. Admiramos algo ou alguém pelo sentimento sublime de respeito e consideração causado em nós: só amamos o que formos capazes de admirar. A emoção que a admiração desperta leva ao apaixonamento.

Por reconhecer em alguém um valor que nos faz contemplar nossa própria imagem invertida, amamos. Tal como um espelho, o outro representa o que desejamos ser ou somos e por isso este outro se torna objeto de contemplação, admiração. Não sem motivo há o ditado popular: o que os olhos não vêem o coração não sente. O amor passa pelo olhar, fonte primária da admiração: “quando eu te vejo eu desejo o teu desejo”, canta Caetano Veloso.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 2

Privilegiado por ter, desde a graduação em filosofia, bons professores como instrutores e guia na grande aventura de ler os livros, cartas e fragmentos póstumos do filósofo Friedrich Nietzsche, meu encontro com a sua escrita foi impactante e paixão à primeira vista. Amado, odiado, expropriado, deturpado, incompreendido. Seus escritos exigem posição ética irredutível do leitor: amar a vida como ela é, destituída de todo e qualquer ideal. Sua filosofia é e continuará extemporânea na história das idéias.

O canto tragico de Nietzsche 2

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