Salvador Dali, um gênio escritor (1)

Ao Monsenhor Orivaldo Casini, companheiro de graduação em Filosofia, por seus 25 anos de ordenação sacerdotal.

Num belo ensaio publicado em Profanações, o filósofo italiano Giorgio Agambem traçou a etimologia da palavra gênio: “os latinos chamavam Genius ao deus a que todo homem é confiado sob tutela na hora do nascimento. A etimologia é transparente, e ainda é visível na língua italiana na aproximação entre gênio e gerar. Que Genius tivesse a ver com gerar é, aliás, evidente, pelo fato de o objeto por excelência ‘genial’ ter sido, para os latinos, a cama: genialis lectus, porque nela se realiza o ato de geração”. Decorre desta matriz, a heróica tarefa de cada um encontrar o seu próprio Genius: o deus que preside o nascimento de cada ser. Genius é a divinização da pessoa em sua radical singularidade; é o princípio que rege e exprime a sua existência inteira.

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GRUPO DE ESTUDOS EM LACAN – 1º semestre 2014

SEMINÁRIO 5 – AS FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE

 

Cronograma: 12 e 26/fevereiro; 12 e 26/março; 09 e 23/abril; 14 e 28/maio; 11 e 25/junho

Quarta-feira das 19h30 às 21h – 15 vagas

Pagamento: R$ 450,00 por 10 encontros

Local: Rua Prudente de Moraes, 1413 – Bairro Alto – Piracicaba -SP
Inscrição para iniciantes agendar entrevista por email: m.mariguela@gmail.com

Mais informações: Lacan 2013

Gênese da poesia maldita (2)

“Praza ao céu que o leitor, audacioso e tornado momentaneamente feroz como isto que lê, encontre, sem se desorientar, seu caminho abrupto e selvagem, através dos pântanos desolados destas páginas sombrias e cheias de veneno; pois, a não ser que invista em sua leitura uma lógica rigorosa, e uma tensão de espírito pelo menos igual a sua desconfiança, as emanações mortais deste livro embeberão sua alma, assim como a água ao açúcar. Não convém que qualquer um leia as páginas que vêm a seguir; somente alguns saborearão este fruto amargo sem perigo. Há quem escreva em busca de aplausos humanos, por meio das nobres qualidades do coração que a imaginação inventa ou que eles podem ter. Quanto a mim, faço que meu gênio sirva para pintar as delícias da crueldade! Delícias não passageiras, artificiais; mas que começaram com o homem, e terminarão com ele. Este que canta não pretende que suas cavatinas sejam uma coisa desconhecida; ao contrário, orgulha-se que os pensamentos altivos e maldosos de Maldoror estejam em todos os homens.”

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Gênese da poesia maldita (1)

“Outrora, se bem me lembro, minha vida era um festim onde se abriam todos os corações, onde todos os vinhos corriam. Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. E achei-a amarga. E injuriei-a. Consegui fazer desvanecer-se em meu espírito toda a esperança humana. Sobre toda alegria, para estrangulá-la, dei o salto surdo da fera. O infortúnio foi meu deus. Estendi- me na lama. Sequei-me ao ar do crime. E preguei peças à loucura. E a primavera me trouxe o pavoroso riso do idiota.

 ‘Permanecerás hiena’, exclamou o demônio e me coroou de tão gentis papoulas. Ganha a morte com todos os teus apetites, e o teu egoísmo e todos os pecados capitais. Ah! Foi o que fiz e por demais! — Todavia, caro Satã, por favor, tende para mim um olhar menos irritado! e, enquanto ficais à espera de umas tantas covardiazinhas em atraso, e, já que apreciais no escritor a ausência das faculdades descritivas ou instrutivas, destaco para vós estas poucas hediondas folhas de meu caderno de réprobo.”

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Psicanálise e Filosofia