Aniversariar é verbo intransitivo inventado na língua falada no Brasil. Amar tornou-se também intransitivo na lavra do escritor Mário de Andrade: Amar, Verbo Intransitivo. Amar e aniversariar só podem ser conjugados pelo sujeito em ato de radical singularidade: Eu aniversario. Tu aniversarias. Ele/Ela aniversaria.
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A persona sonolenta do Pessoa
Há no Livro do Desassossego um jogo metonímico entre livro (objeto escrito) e livrar (verbo que nomeia atos de libertação). No livro, o poeta Fernando Pessoa criou o semi-heterônimo Bernardo Soares para se livrar do desassossego. O homem Pessoa transmitiu em cartas que o estado d’alma desassossegada lhe acometia no final do dia, ao anoitecer. O crepúsculo contém potência depressiva: o dia que se esvai no laranja aveludado do entardecer anunciando calada noite. Continue reading
A Lisboa do Pessoa
É emocionante ouvir/ver Cleonice Berardinelli, uma senhora carioca de 98 anos, declamar as palavras de Fernando Pessoa(s). Cada sílaba encontra seu tom afetivo correspondente e, numa miríade de palavras, vai compondo um pas de deux com a baiana Maria Bethânia. O feliz encontro ocorreu primeiramente na FLIP 2013 e depois ampliado no filme de Marcio Debellian, (o vento lá fora). Gravado em estúdio, o encontro faz uma ode à potência estética na poesia do múltiplo escritor português nascido no dia de Santo Antônio. Continue reading
Freud & Ferenczi na Sicília – 6
Desde os tempos de adolescência quando Freud leu o relato de viagem do poeta Goethe ao sul da Itália, cultivou o desejo de conhecer a ilha siciliana, Nápoles e Palermo. Na Autobiografia, publicada em 1925, o criador da psicanálise declarou que escolheu cursar medicina depois de ouvir uma palestra sobre o ensaio Da Natureza escrito pelo poeta alemão. A presença de Goethe nos escritos de Freud é invariável. Toda sua formação literária está marcada pelo romantismo do final do século 19 e, em especial, pelo renascimento na cultura alemã. Continue reading
Freud & Ferenczi na Sicília – 5
Na carta de 06/10/1909 Freud consolou o amigo húngaro: “Não se lamente por não ter perguntado à pitonisa Madame Seidler pelo futuro. Ele se renova constantemente, nem o bom Deus o conhece antecipadamente. Ela soube ler seus pensamentos e este fenômeno é notável. Por ora silencie a respeito; vamos fazer outros experimentos”.