Category Archives: Artigos

Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 9

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Encerro essa série com o mais belo canto de Zaratustra: Da Superação de Si Mesmo. É o momento sublime de apresentação do conceito estrutural do livro: vontade de poder. Na lida com as contingências e circunstâncias que a vida me ensina tenho sempre presente este cântico, ecoando como um chamado, uma convocação: é preciso superar a si mesmo. Este é o maior trabalho a ser realizado, o único capaz de fazer da vida uma obra de arte. Cada indivíduo tem a divina tarefa de empenhar todas as suas forças no exercício de superação não só das adversidades externas, mas sobretudo das adversidades internas, o si mesmo.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 8

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No canto Das Mil Metas e da Única Meta encontramos a marca registrada do nosso herói Zaratustra: um viajante, conhecedor de muitos países com seus respectivos povos e modos de valoração. O autor de Assim Falou Zaratustra também foi um exímio viajante: as debilidades físicas de Nietzsche exigiam uma existência andarilha em busca do sol pois as rígidas mudanças climáticas na região central da Europa faziam com que o autor se deslocasse em direção ao sul. Em diferentes lugares, diferentes livros foram escritos. O Andarilho e sua Sombra, publicado em 1880, é um bom exemplo.

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A Inquietude do Desejo

arraso estiloEm nosso Catálogo das Paixões, série de ensaios onde definimos o ser humano como um ser passional, os afetos e emoções são as paixões da alma. Em nossa lista, vamos inserir o desejo como o substrato das paixões. O que nos faz humanos é a singular capacidade de amar, odiar, desejar, vivenciar o prazer e o desprazer, construir laços de amizade, ter esperança, temor, coragem, alegria, tristeza e, acima de tudo, lutar para ser feliz, praticar a justiça e equidade nas relações com nossos semelhantes.

Na tradição filosófica ocidental, o desejo sempre esteve no centro do pensamento reflexivo, nos códigos morais e nas teorias políticas. Platão inaugurou um catálogo ao estabelecer a distinção entre realidade sensível e inteligível, instaurando um corte radical na cultura ocidental ao separar (substancialmente) o corpo e a alma.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 7

Após um intercurso nos cantos de Zaratustra escolhidos por Richard Strauss para compor o Poema Sinfônico para Grande Orquestra, retorno à proposta inicial desta série: comunicar os cantos que me encantam no livro composto por Nietzsche. Admito o escrito como um drama musical. O conceito drama articula duas redes de significações: o cômico e o trágico. Ambas se referem ao período das tragédias gregas no século 5 a.C. e às comédias de Aristófanes, por exemplo.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 6

O critério adotado por Richard Strauss na escolha dos cantos que compõem Assim Falou Zaratustra, publicado em 1885 por Friedrich Nietzsche, demonstra certa perspectiva e permite seguir o fio condutor da interpretação que fez do livro. Como destaquei nos artigos anteriores, no Poema Sinfônico para Grande Orquestra, composto em 1896, encontramos a sublime transformação da palavra em som.  Além do Prólogo, escolheu oito cantos do personagem para musicar.

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