Category Archives: Jornais

O amigo e o bajulador

para a Adriana, minha amiga verdadeira.

 o amigo bajuladorO cultivo da amizade requer um trabalho preliminar: saber distinguir o amigo verdadeiro do bajulador, o falso. Este tema é recorrente na história da cultura desde as narrativas míticas, no pensamento filosófico e na literatura. Na atualidade, quando o valor da amizade é definido pela quantidade de seguidores que o indivíduo possui no facebook é conveniente resgatar o aspecto mínimo desta distinção. Sobretudo quando somos convocados a celebrar, com os amigos, as festas natalinas e de réveillon.

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O cultivo do ócio

o cultivo do ocioO insistente desejo de praticar o ócio é um exercício de liberdade. Libertar-se das tarefas e demandas cotidianas é pôr à prova a capacidade de ser ocioso: o ócio requer uma suspensão temporária das atividades laborais rotineiras. Quando se está no ócio, o tempo flui sem a marcação cronológica: é a suspensão temporária da regência do deus Kronos.

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A psicologia e a psicanálise

Com este subtítulo Georges Politzer publicou em 1928, aos 23 anos, sua Crítica dos Fundamentos da Psicologia. Recém chegado em Paris, vindo de Budapeste, com estadia em Viena para conhecer Sigmund Freud, o jovem húngaro fez sua entrada no círculo filosófico francês com um projeto de pesquisa e um propósito explícito: demolir as bases da psicologia científica e inaugurar a psicologia concreta.

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Para quem você escreve?

Pergunta enviada em março de 1932 pelo Partido Comunista Francês aos membros fundadores da Associação dos Escritores e Artistas Revolucionários, reunidos em assembleia em Paris. Georges Politzer, jovem filósofo húngaro, foi o emissário e relator. Seu registro é um documento histórico sobre engajamento artístico e intelectual nas lutas pela efetivação da revolução socialista e, ao mesmo tempo, um datado arquivo sobre a implantação do materialismo histórico (filosofia marxista) em solo francês.

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Zaratustra, o canto trágico de Nietzsche – 9

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Encerro essa série com o mais belo canto de Zaratustra: Da Superação de Si Mesmo. É o momento sublime de apresentação do conceito estrutural do livro: vontade de poder. Na lida com as contingências e circunstâncias que a vida me ensina tenho sempre presente este cântico, ecoando como um chamado, uma convocação: é preciso superar a si mesmo. Este é o maior trabalho a ser realizado, o único capaz de fazer da vida uma obra de arte. Cada indivíduo tem a divina tarefa de empenhar todas as suas forças no exercício de superação não só das adversidades externas, mas sobretudo das adversidades internas, o si mesmo.

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