No ensaio filosófico O Erotismo publicado em 1957, Georges Bataille distinguiu, numa relação dialética, dois termos (interdito e transgressão): “A transgressão excede sem destruir um mundo profano de que ela é o complemento. A sociedade humana não é somente o mundo do trabalho. Simultaneamente ela é composta pelo mundo profano e pelo mundo sagrado, que são as duas formas complementares. O mundo profano é o dos interditos. O mundo sagrado abre-se a transgressões limitadas. É o mundo da festa, dos soberanos e dos deuses”. A touromaquia (arte de torear) foi concebida pelo autor como uma festa sagrada num mundo profano. No desfecho da novela erótica A História do Olho, como cenografia há uma arena de touros (tourada). O erotismo adquiriu, com Bataille, um estatuto de experiência sagrada no profano: um festim estético sensual.
Após percurso por alguns lugares de Sevilha, chegamos ao conteúdo do livro A História do Olho. Como destacado no artigo anterior, o livro foi escrito por Bataille em 1927, por indicação
