
O lugar onde o tempo adquiriu o caráter de eternidade é no templo. No templo, o tempo é durável, permanente e transcendente: nele o tempo não passa. Não se sai de um templo do mesmo modo em que se entrou. Sua função primordial é realizar o que os antigos chamavam de metanóia: transformação interior do pensamento ou caráter, pois no templo o tempo está contido para que qualquer um possa vivenciar o eterno como experiência espiritual.
Inicio esta série narrando a experiência do tempo como exercício de espiritualidade: transformação de si mesmo. Por vários templos que conheci, por vivência em lugares diversos por onde passei e também em literaturas e pinturas, como formas de escrita da inscrição no tempo. Quer sejam no aspecto arquitetônico,iconográfico ou literário, o templo é o lugar por excelência da figuração do tempo como eternidade.
Rememorar é também um ato de comemorar. Lembrar para não esquecer e assim transmitir às novas gerações as matrizes fundadoras de nossa civilização. Descrever a gênese do processo civilizatório faz parte de diferentes campos do saber. Desde as narrativas míticas passadas adiante pela história oral até as pesquisas etnográficas das ciências sociais (antropologia, história e sociologia) o trabalho de resgatar o passado e nele encontrar o sentido e significação para o presente é cada vez mais urgente e determinante para nossas perspectivas de futuro.