A repercussão dos protestos em todo o Brasil tem intrigado especialistas no assunto. Até quando essas manifestações vão acontecer? O que tudo isso significa? Seria um surto nacional? A resposta mais óbvia é que o silêncio de 11 anos — desde 1992, quando os caras pintadas saíram as ruas para o impeachment do então presidente Fernando Collor — explodiu somente agora, quando a insatisfação sobre o custo de vida, a qualidade do serviço público entre outras questões vieram todas de uma vez, estampadas em novas caras pintadas, cartazes, faixas e gritos de guerra.

“O entendimento mais correto é o fator que pega no cotidiano de estudantes e trabalhadores: o aumento do valor dos transportes. Isso é o fator fundamental. O preço do transporte, que dá o direito de locomoção e acesso à cidade, foi determinante”, disse o historiador Uassyr de Siqueira, professor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Para ele, é difícil explicar o motivo de ser agora o momento. “Talvez tenha demorado um pouco (desde 1992) em decorrência de uma certa fragilidade dos movimentos estudantis, que passaram depois do impeachment. É um processo”, disse.