📍 Presencial em Piracicaba ou Online 📆 Sábados – das 9h às 12h 🗓 16/08 • 20/09 • 18/10 • 15/11 • 13/12 💰 R$ 500 (pelas 5 aulas)
📄 Enunciado:
Fazer diagnóstico é um ato ético e um exercício de poder.
O diagnóstico na prática psicoterapêutica requer aos que nela atuam (psiquiatras, psicólogos e psicanalistas) um compromisso epistemológico com o que se constitui historicamente como doença mental. O diagnóstico é sempre uma violência simbólica, e ponto de inflexão importante para a direção do tratamento, no trabalho de transmissão da clínica, na construção e avanço da teoria.
O que é fazer diagnóstico em psicanálise?
É o ato que nos interessa investigar para demarcar o lugar daquele que o faz. Sua posição define se está no exercício do poder pastoral, a serviço dos ideais morais de normalidade, ou no exercício do poder produtor de singularidades diferenciais. Desde sua emergência histórica, a psiquiatria esteve enredada na querela dos diagnósticos, elemento fundante de seu campo epistêmico. A psicanálise, em sua genealogia, subverteu os diagnósticos criados pela psiquiatria e instaurou sua própria nosografia a partir do inconsciente e da estruturação do aparelho psíquico: neuroses, psicoses e perversões.
Os diagnósticos, em um e outro campo, se encontram hoje afetados pelo discurso da psiquiatria hegemônica, pelas classificações diagnósticas e pelo atravessamento da ideologia de um fundamento neurológico para o sofrimento psíquico.
As aulas têm como proposta: ➤ Conhecer a gênese da querela dos diagnósticos ➤ Avaliar as diferenças e os limites entre psiquiatria, psicanálise e psicologia ➤ Reconhecer as dimensões clínica, ética e política do fazer diagnóstico
📚 Bibliografia Básica
LACAN, Jacques. A direção do tratamento e os princípios de seu poder. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
FOUCAULT, Michel. O Poder Psiquiátrico. Curso no Collège de France (1974). São Paulo: Martins Fontes, 2006.
FREUD, Sigmund. Psicologia dos processos oníricos. B- A Regressão. F- O Inconsciente e a consciência. In: A Interpretação dos Sonhos, Obras Completas, vol. 4. São Paulo: Cia das Letras, 2019.
FREUD, Sigmund. Psicanálise e Psiquiatria, O sentido dos sintomas, Os caminhos da formação dos sintomas. In: Conferências Introdutórias à Psicanálise. Vol. 13. São Paulo: Cia das Letras, 2014.
FREUD, Sigmund. Neurose e Psicose (1924). Obras Completas, vol. 16. São Paulo: Cia das Letras, 2011.
👥 Palestrantes:
Márcio Mariguela: Psicanalista com formação em Filosofia. Doutor pela Faculdade de Educação da UNICAMP. Autor do livro Psicanálise e Surrealismo: Lacan, o passador de Politzer (Jacintha Editores, 2007).
Marta Ferreira: Psicanalista. Membro da Tykhe – Associação de Psicanálise de Campinas. Graduação pela FCM-UNICAMP, residência médica em psiquiatria, com extensão em psiquiatria da infância e adolescência.
🖥 Formato: Presencial e Online
🗓 Data: Encontros (sábados, das 9h às 12h): 16 de agosto • 20 de setembro • 18 de outubro • 15 de novembro • 13 de dezembro
💰 Pagamento: R$ 500,00
Valor único, referente às 5 aulas
Pagamento no ato da inscrição
Informações de pagamento serão enviadas após o preenchimento do formulário
📍 Local: Natural Music Studio Rua Diva Ragazzo Guidotti, 145 – Bairro São Judas | Piracicaba/SP
✅ Inscrições: (pelo Google Forms) https://forms.gle/gSxApoZggDgYr4xR6
📞 Mais informações: (19) 99181-6884 | Ramon Saci – Natural Music Studio
A ética da Psicanálise e o princípio ético do cuidado de si em Michel Foucault
Márcio Mariguela, psicanalista com formação em filosofia
“penso que a ética é uma prática, e o êthos, um modo, uma maneira de ser” (Foucault)
Cronograma:
29 julho – êthos e éthos: variações históricas entre ética e moral
26 agosto – História da Sexualidade: da genealogia do poder à genealogia da ética
30 setembro – genealogia da ética: o cuidado de si
28 outubro – hermenêutica do sujeito: inconsciente e desejo
25 novembro – os paradoxos da ética ou agiste em conformidade com teu desejo? Seminário 7 de Jacques Lacan
Horário: das 9h às 11:30h
30 vagas presenciais
vagas online (transmissão ao vivo pelo google meet)
Inscrição: WhatsApp – 19.998870409 (Luana)
R$ 70,00 por aula (150,00 na inscrição, 200,00 em 30 dias – PIX)
local: Natural Music – Rua Almirante Barroso, 579A – Piracicaba/SP
Enunciado:
Na entrevista, “A ética do cuidado de si como prática da liberdade” (janeiro/1984), Michel Foucault reconheceu seu procedimento filosófico situado entre dois polos, subjetividade e verdade: “desde sempre procurei saber como o sujeito humano entrava nos jogos de verdade, tivessem estes a forma de uma ciência ou se referissem a um modelo científico, ou fossem como os encontrados nas instituições ou nas práticas de controle. O problema das relações entre o sujeito e os jogos de verdade são considerados agora nos meus cursos no Collège de France como prática de si [cultura de si, cuidado de si]. Um fenômeno muito importante em nossas sociedades desde a era greco-romana, embora não tenha sido estudado”.
No curso A Hermenêutica do Sujeito, ministrado no início década 1980, dois anos antes de sua morte, Foucault pesquisou o fenômeno histórico das práticas de si. Os resultados desta pesquisa podem ser recolhidos na História da Sexualidade, volumes 2 {o uso dos prazeres} e 3 {O cuidado de si} publicados em 1984; e o volume 4 {As confissões da carne} publicação póstuma 2018.
No último curso proferido no Collège, A Coragem da Verdade, aula 1º/fevereiro/1984, vemos Foucault refazendo seu percurso: “este ano contínuo o estudo da fala franca, da parresia como modalidade do dizer-a-verdade. Venho pesquisando o tipo de ato pelo qual o sujeito, dizendo a verdade, se manifesta, e com isso quero dizer: representa a si mesmo e é reconhecido pelos outros como dizendo a verdade. Qual é a forma [aletúrgica] do sujeito que diz-a-verdade?
Na cultura antiga houve um jogo de práticas do dizer-a-verdade sobre si mesmo. “Essas práticas não são desconhecidas e não tenho em absoluto a pretensão de dizer que as descobri, não é minha intenção. O que fiz foi analisar essas formas práticas do dizer-a-verdade sobre si mesmo relacionando com um eixo central da cultura ocidental: o princípio socrático do conhece a ti mesmo”
Dois princípios fundantes: epiméleia heautoû {cuidado de si} e gnôthi seautón {conheça a si mesmo}. Da ética do cuidado de si para a moral do conhecer a si. A moral socrática-platônica subjugou o cuidado de si ao princípio délfico do conheça a si mesmo. Foucault marcou com precisão o tempo histórico desta virada decisiva para a emergência da moral cristã. Para cuidar de si é preciso conhecer a si. Repetimos esse mantra desde o aparecimento da moral socrática.
O objetivo das aulas neste modulo 5 do Curso de História da Filosofia é retornar ao curso A Hermenêutica do Sujeito para resgatar o princípio ético do cuidado de si e assim, insistir na distinção entre o campo da Ética e o campo da Moral. Este resgate permite reinscrever o cuidado de si como princípio da ética da psicanálise tal como descrita por Jacques Lacan no Seminário 7.
Jacques Lacan
Na aula de 06 janeiro 1982, pouco depois da morte de Lacan, Foucault destacou a importância do psicanalista criador de Escola: “todo interesse e a força das análises de Lacan estão precisamente nisto: creio que Lacan foi o único depois de Freud a querer recentralizar a questão da psicanalise precisamente nesta questão das relações entre sujeito e verdade … ele tentou colocar a questão que, historicamente, é propriamente espiritual: a questão do preço que o sujeito tem a pagar para dizer o verdadeiro e a questão do efeito que tem sobre o sujeito o fato de que ele disse, de que pode dizer e disse, a verdade sobre si próprio”.
A psicanálise surgiu no mundo ocidental como mais uma variante das práticas de si na modernidade. “O dizer-a-verdade sobre si mesmo na cultura antiga foi uma atividade conjunta, uma atividade com os outros, e mais precisamente com um outro, uma prática a dois. E é o estatuto desse outro, tão necessário na prática do dizer-a-verdade sobre si mesmo que me reteve e me deteve”.
Foucault destacou: na cultura antiga a presença desse outro para o cuidado de si era variável e não institucionalizado como o será na cultura cristã com a figura do diretor de consciência; e na cultura moderna encarnado no médico, psiquiatra, psicólogo e psicanalista. Na antiguidade, esse outro pode ser qualquer um.
Inserir a psicanálise na série dos fenômenos das práticas de si, identificado por Foucault na cultura greco-romana, tem implicações políticas significativas para interrogar a prática clínica da psicanálise na atualidade pela reincrição da ética do cuidado de si como prática de liberdade.
Bibliografia:
FOUCAULT, Michel A Hermenêutica do Sujeito. Tradução: Marcio Alves da Fonseca e Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 1ª edição 2004.
____________ O governo de si e dos outros. São Paulo: Martins Fontes,2010.
____________ História da Sexualidade. I-A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 5ª edição 1984.
____________ História da Sexualidade. II- O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1ª edição 1984.
____________ História da Sexualidade. III- O cuidado de si. Rio de Janeiro: Graal, 1ª edição 1985.
____________ História da Sexualidade. IV- As confissões da carne. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1ª edição 2020.
____________ “Sobre a Genealogia da Ética: um resumo do trabalho em curso” in: Ditos & Escritos IX. Rio Janeiro: Forense Universitária,2014.
____________ “A ética do cuidado de si como prática da liberdade”; “Uma estética da existência”; “Verdade, Poder e Si Mesmo” in: Ditos & Escritos V. Rio Janeiro: Forense Universitária, 2004.
LACAN, Jacques O Seminario 7 A ética da psicanálise. versão brasileira de Antonio Quinet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
____________ “Kant com Sade” in: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
SOUZA, Sandra Coelho A Ética de Michel Foucault: a verdade, o sujeito, a experiencia. Bélem-PA:Cejup, 2000.
BIRMAN, Joel Entre cuidado e saber de si: sobre Foucault e a Psicanálise. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000.
KEHL, Maria Rita Sobre Ética e Psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
MARIGUELA, Marcio “Genealogia da ética: o sujeito em questão” in: Revista Temática Digital – FE/Unicamp, 2007
_______________ “O retorno a formação: por uma ética da palavra” In: UM Retorno a Freud – Organizado por Nina Virgínea de Araújo Leite e Flávia Trocolo – Campinas: Mercado de Letras, 2009
Freud reconheceu sua leitura de Schopenhauer e negou sua leitura de Nietzsche, dizendo que havia se privado da leitura do filósofo de Basiléia para não ser influenciado por suas ideias. No entanto, sustento a seguinte hipótese: Freud leu Schopenhauer pela letra nietzschiana.
Se Nietzsche nomeou Schopenhauer seu único mestre em filosofia, suponho que a curiosidade o levou a àquele que inscreveu o trágico na filosofia e nas artes dita contemporâneas. A filosofia de Hegel está para o alvorecer, assim como a filosofia de Schopenhauer está para o crepúsculo do século XIX. Definitivamente nos séculos seguintes a filosofia seria hegeliana ou schopenhaueriana. Freud fez sua aposta. E, estou certo, ganhou.
Genealogia do masoquismo e do sadismo na neurose e na psicose
Encontros online quinzenais – 4ª feira das 19h30 às 21h
Início: 04 de agosto de 2021
Valor: R$ 60,00 por encontro
Inscrições e Informações – Patrícia Olandini:
Whatsapp: (19) 99678-1545
Enunciado:
O trabalho de investigação genealógica da etiologia sexual dos sintomas neuróticos e psicóticos partiu da correspondência [1887-1904] de Sigmund Freud com Wilhelm Fliess e chegou na cartografia do aparelho psíquico construída em 1923 com a publicação do livro O Eu e o Isso.
Desde o início, o problema da interiorização do código moral esteve presente nas leituras realizadas e, em especial, traçamos a genealogia do SuperEu como instância psíquica responsável por instituir o que se nomeou, desde Nietzsche, como consciência moral. Com a nova cartografia do aparelho psíquico em mãos, Freud iniciou o trabalho de reconstrução da teoria e da prática clínica.
A chegada da pandemia em março de 2020 interrompeu os encontros de estudos que ocorria há mais de uma década em Piracicaba. Suspenso o presencial, voltamos agora na modalidade virtual com a forte esperança da transmissão da psicanálise retornar ao contato dos corpos e com este novo hibridismo presencial/virtual.
A posição de Freud em reconhecer o sadismo do SuperEu nos levou à gênese do sadismo e do masoquismo em alguns escritos que registram o deslocamento do caráter primário da pulsão sádica: depois do SuperEu, o masoquismo é designado como pulsão primária.
A proposta de estudos neste semestre é, como sempre tem sido, retornar a Freud para diagnosticar o presente. E no atual estado da pandemia no Brasil, o presente é atravessado por dois fenômenos mortais: o coronavírus covid 19 e a negação de sua potência mortífera. Os negacionistas são sádicos ou masoquistas? Com Freud, são masoquistas e sádicos. Este par que Freud enlaçou é bem representado na imagem da litografia de M.C.Escher: “Vínculo de União”, abril 1956, escolhida para ilustrar nosso tema.
Retornamos ao ensaio Luto e Melancolia, escrito em 1912 e publicado em 1917. Pela melancolia seguimos para O Problema Econômico do Masoquismo (1924), para encontrar um problema que permaneceu em aberto desde a publicação dos Ensaios sobre a Teoria Sexual em 1905: qual a relação entre o masoquismo e o sadismo?
No ensaio, Neurose e Psicose (1924), ofereceu uma “fórmula simples” para psicodiagnóstico: “a neurose é o resultado de um conflito entre o Eu e o Isso, enquanto a psicose é o análogo desfecho de uma tal perturbação nos laços entre o Eu e o mundo exterior”. Freud voltou a este tema, meses depois, no ensaio A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose para traçar a diferença fundamental: “na neurose uma porção de realidade é evitada pela fuga, enquanto na psicose é remodelada (…) dito de outra maneira, a neurose não nega a realidade, apenas não quer saber dela; a psicose a nega e busca substituí-la”.
Concluímos com o artigo Resumo da Psicanálise publicado na Enciclopédia Britânica em 1924: “a psicanálise cresceu num terreno bem delimitado para acessar os segredos das neuroses, sobretudo da misteriosa histeria, modelo paradigmático de toda neurose”. Freud inseriu-se no território dos filósofos, místicos e… charlatães para investigar “o fator psíquico” como fator etiológico no sofrimento neurótico e psicótico.
Bibliografia Básica:
FREUD, Sigmund “Luto e Melancolia” in: Obras Completas – volume 12. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. FREUD, Sigmund “O Problema Econômico do Masoquismo”; “Neurose e Psicose”; “A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose”; “Resumo da Psicanálise” in: Obras Completas – volume 16. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Enquanto durar as orientações das autoridades sanitárias para manter o isolamento social, comunico que as atividades do Grupo de Estudos em Freud e Curso de História da Filosofia serão realizadas no meu canal do Youtube na modalidade de transmissão ao vivo gratuita e publica [isto é, não restrita ao acesso por link como foi anteriormente]
para tanto, inscrevam-se no canal
na próxima 4a as 19h faremos o encontro de estudos em Freud com artigo “O problema econômico do masoquismo” publicado em 1924 (sigo a tradução Obras Completas, volume 16 – Editora Companhia das Letras)
prosseguimos no trabalho de traçar a gênese do que Freud chamou em 1905, nos Ensaios sobre a Teoria Sexual, de “pulsão sadomasoquista” e também de “pulsão de crueldade”
indico também a leitura preliminar do capítulo III – O Eu e o Super-Eu [ideal do eu] e o capítulo IV – As duas espécies de pulsão [instinto], ambos do livro O Eu e o Id, também incluído no volume 16 da edição brasileira
fiquem à vontade para divulgar a seus convidados que possam interessar nos temas
desejo a cada um, renovadas esperanças em dias melhores com os votos de uma Páscoa como exercício de ressurreição diário, pois bem disse o filósofo Nietzsche: morremos mais de uma vez e renascemos outras tantas.