Na edição anterior da Arraso iniciei a narrativa do amor como a paixão por excelência. Os gregos designavam páthos o estado de transbordamento de emoções e sentimentos incontroláveis. O sujeito apaixonado encontra-se num estado afetivo de perturbação, transtorno e obscuridade afetando seu juízo crítico e consciente. Eros, o deus do amor foi representado na mitologia como o causador dos estados patológicos.

Destaquei o diálogo O Banquete de Platão como registro de nascimento do Amor (Eros). Sócrates contou que ouviu da sacerdotisa Diotima a seguinte narrativa: por ocasião de uma festa para comemorar o nascimento de Afrodite, Póros se embriagou do néctar dos deuses e adormeceu no jardim da morada de Zeus. Por ali perambulava Pênia, que em sua penúria, nutria a esperança de obter algumas sobras do festim. Ao ver o belo Póros adormecido, tomou a decisão num instante: desejou ter um filho com ele. Deitou-se ao seu lado e concebeu Eros, o deus do Amor. Desse modo, Eros é filho de Póros de Pênia. Póros significa passagem, caminho, via de comunicação, ponte, conduto; e também recurso, fartura, excesso, transbordamento; e Pênia significa miséria, pobreza, penúria.