Tendo estabelecido a peça teatral El Burlador de Sevilha, atribuída a Tirso de Molina, como matriz genética de todas as demais versões e reinterpretações ao longo da história da literatura moderna, podemos seguir adiante com as apresentações. Na versão francesa, Don Juan ou o Festim de Pedra, escrita por Molière e encenada no Palais Royal de Paris em janeiro de 1665. No conjunto das peças deste genial dramaturgo francês, Don Juan e Tartufo são exemplares na desconstrução da moral cristã hegemônica à serviço da aristocracia monárquica. O sucesso de ambas é proporcional ao elemento belicoso que explode em frases perfeitas da mais fina ironia e sarcasmo. O texto realiza o trabalho de desconstrução do edifício moral dominante no século 17.

Seguimos destacando o pressuposto para incursão nas versões da peça teatral El Burlador de Sevilha ao longo da história da literatura moderna. Antes de adentrar na estrutura textual da versão atribuída a Tirso de Molina no alvorecer do século 17, convém retornar ao argumento do escritor-filósofo Albert Camus no ensaio O Mito de Sísifo publicado no contexto da 2ª Guerra Mundial.