Category Archives: Grupo de Estudos

Projeto Psicanálise em Extensão

Projeto Psicanálise em Extensão

Na “Proposição de 9 de Outubro de 1967 – sobre o psicanalista da Escola” (in: Outros Escritos), Jacques Lacan afirmou: “No começo da psicanálise está a transferência”. Na experiência clínica a psicanálise é transferida em duas situações específicas: a psicanálise em intenção (quando alguém demanda uma analise) e a psicanálise em extensão (o trabalho de leitura da obra de Freud – e outros autores inventivos no campo da psicanálise – e, o trabalho de transmissão da psicanálise no campo da ação política).

O projeto Psicanálise em Extensão é um compromisso com a causa (coisa) freudiana através do movimento de retorno à Freud instaurado por Lacan. Isso define uma posição: A psicanálise é uma ética do cuidado de si, um exercício de liberdade. Nosso objetivo é criar lugares para o ensino e a transmissão da psicanálise através de uma aposta no trabalho em grupos.

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Grupo de Estudos: Leituras de Freud

Jacques Lacan, psicanalista francês, iniciou na década de 1950 um movimento retorno a Freud, defendendo a ética da psicanálise contra os apologistas da moral do ressentimento. Lacan tornou-se assim um dos autores mais inventivos na história da psicanálise. Amado e odiado com igual intensidade, seus “Escritos” e “Seminários” marcaram decisivamente a cultura contemporânea. Fundador de Escola soube incorporar em sua prática clínica toda a tradição filosófica do Ocidente, restaurando a lâmina cortante da verdade freudiana. Interrogando os psicanalistas de seu tempo, os convocou a responderem sobre o lugar que ocupam no tratamento do sofrimento psíquico e na extensão política de seu discurso e prática clínica.

Grupo de Estudos: Leituras de Freud

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Grupo de Estudos – FREUD & NIETZSCHE – Piracicaba

Grupo de Estudos: Frued Nietzsche - Unimep

Promovido pelo Diretório Central dos Estudantes da UNIMEP

Objetivos:

1 Instaurar um espaço de transmissão do saber filosófico e psicanalítico para além da sala-de-aula que possa reunir discentes de diferentes cursos para estudo e pesquisa na obra de Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche.

 2 Estabelecer um critério de transversalidade para sustentar a relação entre Freud e Nietzsche e desdobrar assim uma estratégia de formação cultural pelo diálogo entre pensadores da cultura contemporânea.

 3 Definir um campo conceitual que permita articular problemas específicos da ética e de uma genealogia da moral.

 4 Criar uma Revista Digital que possa veicular a produção de textos produzidos pelos membros do grupo de estudos.

 Justificativas:

Os encontros do Grupo de Estudos pretendem sustentar uma interlocução entre pontos específicos da obra de Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche. Partiremos do seguinte pressuposto: Freud, o inventor da psicanálise, foi um leitor curioso do pensamento filosófico de Nietzsche. Há referências explicitas ao nome de Nietzsche nas obras de Freud.

Contemporâneos da emergência dos estudos filológicos, ambos determinaram os desdobramentos das técnicas de interpretação no século XX. Para além de apontar influências ou débitos intelectuais por em relação os nomes Freud e Nietzsche implica constatar, primeiramente, que ambos partilham de um cenário histórico comum. Nada consta que tenham se encontrado.

Freud fez referência às idéias de Nietzsche em pelo menos três momentos no conjunto de sua obra: 1- no parágrafo acrescentado em 1919 no final do item B (“Regressão”) do capítulo VII (“A psicologia dos processos oníricos”) da Die Traumdeutung [A Interpretação dos Sonhos]; 2 – na nota de rodapé no escrito de 1923, O Ego e o Id; 3- no capítulo X “A Massa e a Horda Primitiva” do livro A Psicologia das Massas e Análise do Eu, publicado em 1921.

Ao longo deste século, diferentes autores tematizaram a relação Freud-Nietzsche. Paul-Laurent Assoun, por exemplo, comentou a estranha contemporaneidade entre Freud e Nietzsche, citando a ata da Sessão de 01 de Abril de 1908 da Sociedade Psicanalítica de Viena em que Freud afirmou que não conhecia a obra de Nietzsche, que nunca conseguiu estudá-lo, que não ia além de meia página nas tentativas de lê-lo. Citou também duas outras ocasiões em que Freud disse ter recusado o grande prazer proporcionado pela leitura de Nietzsche e ter evitado, por muito tempo, o contato com sua escrita.

Michel Foucault alinhou Nietzsche, Freud e Marx para analisar as rupturas que cada um, a seu modo, realizou na hermenêutica moderna. No Colóquio Nietzsche, realizado em 1964, Foucault afirmou: “No primeiro volume do Capital, textos como o Nascimento da Tragédia, e A Genealogia da Moral, a Traumdeutung, situam-nos de novo ante técnicas interpretativas. E o efeito do seu impacto, o gênero de ferida que estas obras produziram no pensamento ocidental, deve-se provavelmente ao fato de terem significado para nós o que o mesmo Marx qualificou de ‘hieroglíficos’. O que nos coloca numa posição incômoda, já que estas técnicas de interpretação nos dizem respeito, e que nós, como intérpretes, teremos que interpretarmo-nos a partir destas técnicas”.

Público Alvo:

Discentes dos cursos da Faculdade de Ciências Humanas e demais interessados na obra de Freud e Nietzsche; Professores de Filosofia e História que trabalham na rede pública ou privada; Profissionais da Psicologia

Docente Responsável:
Prof. Dr. Márcio Mariguela – (FCH-Unimep)

Promoção: Diretório Central dos Estudantes

Horário: 2 encontros mensais aos sábados das 9 as 12 horas

Início: 10/04/2010

Bibliografia Básica:
ASSOUN, Paul-Laurent Freud & Nietzsche: semelhanças e dessemelhanças. São Paulo: Brasiliense, 1989.
ENRIQUEZ, Eugène Da Horda Primitiva ao Estado: psicanálise do  vínculo  social.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
FOUCAULT, Michel “Nietzsche, Freud e Marx” In: Ditos & Escritos II – Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento, Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2000.
FREUD, Sigmund “Psicologia de Grupo e a Análise do Ego” In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. volume XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, Sigmund “O Mal-estar na Civilização” In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. volume XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
GAY, Peter Freud, uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
LEFRANC, Jean Compreender Nietzsche. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2005.
MACHADO, Roberto Zaratustra, tragédia nietzschiana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
MARIGUELA, Márcio “Freud e Nietzsche: ontogênese e filogênese”, en Impulso – Revista de Ciências Sociais e Humanas, volume 12, nº 28, Piracicaba-SP: Editora Unimep, 2001.
NIETZSCHE, Friedrich Así habló Zarathustra. Traducción y notas: Juan Carlos Garcia Borrón. Obras Maestras del Pensamiento Contemporáneo. Barcelona: Editorial Planeta, 1992.
NIETZSCHE, Friedrich Genealogia da Moral. Tradução Paulo César Souza. São Paulo: Brasiliense, 1997.